Ela andava nas ruas
Só lhe restava fazer o que tinha que ser feito
Vestiu a mesma roupa – eles a olhavam com essa roupa.
Pensava em um estupro. Um estupro a transformaria em vítima, todos teriam pena dela. Pensava que não teria que tomar pílula do dia seguinte, para alguma coisa o DIU funcionava.
Saberiam que ela queria aquilo? Exame de corpo de delito. Todos acreditariam no exame de corpo de delito.
O mendigo com a garrafa de água – tinha cede.
Mudou de rua.
Obra no subterrâneo subsolo – eles trabalham – policiais. Lanchonete aberta.
Existe vida na noite – noite que foi tão dela.
Há muito ela se policia para não entrar na noite. A noite enlouquece.
Pediu informação. As pessoas bêbadas solícitas.
Rua cheia de pessoas adolescentes, da sua idade, saias brilhantes que chegam à cintura – parecem mais gordas.
O segurança informa, sem olhar nos olhos, ele não pode se entregar.
Esquina com cabeludos mijando, há muito não passava por isso. Solidão.
Eles a estuprariam? Não. E já era fácil demais. Entrou em um bar.
Garçons, caixa, gerente, cartão, produção.
Sentou-se em frente à televisão. Não trouxera dinheiro para uma cerveja.
Teve que contentar-se com CAPxCRU
Telefone dado. Não tinha como enrolar mais.
Voltou para a rua onde a luz da lua vem do poste.
Dois postos de gasolina.
Tenho que voltar mais vezes. É bom caminhar entre as baratas.
Aquela menina que queria ser cantora. Olha para o alto, aprendeu a cantar.
Com o diafragma. Alto – algo se mexe no breu. Os mendigos não gostaram da sua cantoria.
Roupas leves e esvoaçantes – Viva Cacilda Becker!
Luzes na esquina anterior.
Segundo posto. Olá garçom – que olha minha bunda.
Em casa sã e salva.
A presença ausente da internet. Onde todos sabem o que se faz, mas não lambem suas lágrimas.
